quinta-feira, 13 de junho de 2013


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BREAKING NEWSThursday, June 13, 2013 5:30 PM EDT
Syria Has Used Chemical Weapons Against Rebels, U.S. and European Officials Conclude
American and European intelligence analysts now believe that President Bashar al-Assad’s troops have used chemical weapons against rebel forces in the civil war in Syria, an assessment that will put added pressure on a deeply divided Obama administration to develop a response to a provocation that the president himself has declared a “red line.”
According to an internal memorandum circulating inside the government on Thursday, the “intelligence community assesses that the Assad regime has used chemical weapons on a small scale against the opposition multiple times in the last year.” President Obama said in April that the United States had physiological evidence that the nerve gas sarin had been used in Syria, but lacked proof of who used it and under what circumstances. He now believes that the proof is definitive, according to American officials.
But a flurry of high-level meetings in Washington this week only underscored the splits within the Obama administration about what actions to take to quell the fighting, which has claimed more than 90,000 people. The meetings were hastily arranged after Mr. Assad’s troops — joined by fighters from the militant group Hezbollah — claimed the strategic city of Qusayr and raised fears in Washington that large parts of the rebellion could be on the verge of collapse.

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TENDÊNCIAS/DEBATES

Os médicos estão infelizesMIGUEL SROUGI

Os médicos estão infelizes com os salários desonrosos. Mas imaginar que essa é a causa principal do desalento é uma simplificação injusta
HOJE, NO dia dos médicos, resolvi homenageá-los. Resgatei na memória pesquisa de 2005 do Ibope sobre as instituições mais confiáveis na nossa sociedade. Como antes, me enchi de encantos: ganharam os médicos, com 81% das indicações, à frente dos padres (71%) e dos militares (69%). Resgatei também na memória aquele momento quase indescritível, os olhos marejados e agradecidos de alguém reconquistado para a vida. Emoções incomparáveis, que só um médico pode usufruir.
Nesse ponto, uma pergunta inevitável. Apesar do Ibope e dos momentos ricos, estariam os médicos brasileiros felizes com seu entorno e seu destino? Comecei a ficar aflito ao relembrar o noticiário recente: greve dos médicos paralisa o atendimento; cirurgiões se negam a realizar intervenções pelo SUS; pacientes morrem na porta de hospitais; médicos suspendem cirurgias cardíacas e abandonam centenas na fila de espera.
A aflição começou a aumentar quando me perguntei: estariam os médicos ficando insensíveis e deixando de se postar ao lado de seus parceiros, lutando contra o sofrimento?
O próprio noticiário ofereceu-me pistas para compreender a situação: em Fortaleza e em Alagoas, o salário mensal dos médicos do setor público oscila entre R$ 726 e R$ 1.500, para meio dia de trabalho; os cirurgiões da Paraíba recebem, em média, R$ 76 por intervenção que realizam no sistema público de saúde; hospitais e leitos de terapia intensiva foram inaugurados por políticos e, depois, abandonados por falta de provisão para contratação de pessoal, aquisição de equipamentos e custeio; hospitais universitários federais estão desamparados, devem R$ 450 milhões e estão totalmente desaparelhados, em alguns deles o déficit de pessoal chega a 700 funcionários; equipamentos avariados obrigam pacientes mineiros a viajar quatro horas para complementar tratamento de radioterapia.
A aflição ficou quase insuportável quando compreendi que os médicos estão, sim, infelizes com os salários desonrosos. Contudo, imaginar que essa é a causa principal do desalento representa simplificação injusta e mal-intencionada.
Os médicos têm vocação para exercer com altruísmo sua missão, defendendo a condição humana e a sociedade. Na prática, são afrontados por um sistema de saúde imerso na incompetência, na indecência e na indigência, frustrando-se quando exercem a ação médica. É irrealista esperar que eles pratiquem condignamente sua profissão quando os instrumentos para uma vida digna lhes são subtraídos por gestores indecentes.
Os nossos governantes, com felizes exceções, transformaram a saúde em balcão de negócios obscuros e de trocas de favores, destruindo a promissora estrutura médico-hospitalar edificada no Brasil entre os anos 40 e 60. Os salários do pessoal da saúde foram aviltados e, hoje, só os idealistas ou os desamparados se sujeitam a trabalhar em serviços públicos. Como exigir que um médico, recebendo R$ 726 ou mesmo R$ 1.500, deixe de ter três ou quatro empregos, trabalhando até a exaustão, ou se mantenha atualizado, quando um livro técnico custa entre US$ 50 e US$ 300 e quando cursos de aperfeiçoamento têm de ser pagos pelo próprio profissional?
Essa situação se torna mais desconfortável se lembrarmos que cerca de 95% dos médicos brasileiros são assalariados, prestando serviços a entidades privadas de assistência, que contribuem para o desânimo ao cercear a autonomia e criar restrições exageradas e perigosas às ações médicas.
A sociedade também alimenta esse processo perverso, assumindo atitudes de intransigência desconcertante ante seus médicos. Em todos os momentos, exige deles nada menos que a perfeição, não aceitando sequer a derrota em fatos inexoráveis, como a falibilidade humana, a existência de doenças incuráveis, a decadência pelo passar dos anos, a morte implacável.
Sociedade que, quase sempre, desconsidera o ambiente circundado pela indigência e pela violência no qual atua um sem-número de médicos brasileiros. Ignora-se a situação cruel enfrentada por esses profissionais, que exaurem seu talento e seus ideais ao clinicar em hospitais públicos caóticos, onde escasseiam ou inexistem materiais e medicamentos mais simples, onde se desgastam tratando de doenças já erradicadas em países mais sérios e onde um paciente com câncer espera até seis meses para ser internado, se sobreviver para isso.
Enfim, os médicos da nação estão realmente infelizes, e muitos brasileiros julgam que, tanto na saída como na chegada, o sentimento tem a ver com salários ou benefícios materiais. Contudo, é importante que se compreenda que os drs. Severino Baiano, José Pernambucano, João Paulista ou Antonio Mineiro, que dedicam suas vidas e emoções para aliviar o sofrimento alheio, estão infelizes, quase nunca por causa de interesses pessoais menores, mas porque a maioria é vítima da combinação perversa de uma sociedade complacente e governos indecentes. Realidade que Riobaldo, o jagunço filósofo de Guimarães Rosa, sabia muito bem como descortinar: "Digo, o real não está na saída ou na chegada, ele se dispõe para a gente no meio da travessia".

MIGUEL SROUGI, 61, médico, pós-graduado em urologia pela Universidade Harvard (EUA), é professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

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Os médicos estão infelizesMIGUEL SROUGI

Os médicos estão infelizes com os salários desonrosos. Mas imaginar que essa é a causa principal do desalento é uma simplificação injusta
HOJE, NO dia dos médicos, resolvi homenageá-los. Resgatei na memória pesquisa de 2005 do Ibope sobre as instituições mais confiáveis na nossa sociedade. Como antes, me enchi de encantos: ganharam os médicos, com 81% das indicações, à frente dos padres (71%) e dos militares (69%). Resgatei também na memória aquele momento quase indescritível, os olhos marejados e agradecidos de alguém reconquistado para a vida. Emoções incomparáveis, que só um médico pode usufruir.
Nesse ponto, uma pergunta inevitável. Apesar do Ibope e dos momentos ricos, estariam os médicos brasileiros felizes com seu entorno e seu destino? Comecei a ficar aflito ao relembrar o noticiário recente: greve dos médicos paralisa o atendimento; cirurgiões se negam a realizar intervenções pelo SUS; pacientes morrem na porta de hospitais; médicos suspendem cirurgias cardíacas e abandonam centenas na fila de espera.
A aflição começou a aumentar quando me perguntei: estariam os médicos ficando insensíveis e deixando de se postar ao lado de seus parceiros, lutando contra o sofrimento?
O próprio noticiário ofereceu-me pistas para compreender a situação: em Fortaleza e em Alagoas, o salário mensal dos médicos do setor público oscila entre R$ 726 e R$ 1.500, para meio dia de trabalho; os cirurgiões da Paraíba recebem, em média, R$ 76 por intervenção que realizam no sistema público de saúde; hospitais e leitos de terapia intensiva foram inaugurados por políticos e, depois, abandonados por falta de provisão para contratação de pessoal, aquisição de equipamentos e custeio; hospitais universitários federais estão desamparados, devem R$ 450 milhões e estão totalmente desaparelhados, em alguns deles o déficit de pessoal chega a 700 funcionários; equipamentos avariados obrigam pacientes mineiros a viajar quatro horas para complementar tratamento de radioterapia.
A aflição ficou quase insuportável quando compreendi que os médicos estão, sim, infelizes com os salários desonrosos. Contudo, imaginar que essa é a causa principal do desalento representa simplificação injusta e mal-intencionada.
Os médicos têm vocação para exercer com altruísmo sua missão, defendendo a condição humana e a sociedade. Na prática, são afrontados por um sistema de saúde imerso na incompetência, na indecência e na indigência, frustrando-se quando exercem a ação médica. É irrealista esperar que eles pratiquem condignamente sua profissão quando os instrumentos para uma vida digna lhes são subtraídos por gestores indecentes.
Os nossos governantes, com felizes exceções, transformaram a saúde em balcão de negócios obscuros e de trocas de favores, destruindo a promissora estrutura médico-hospitalar edificada no Brasil entre os anos 40 e 60. Os salários do pessoal da saúde foram aviltados e, hoje, só os idealistas ou os desamparados se sujeitam a trabalhar em serviços públicos. Como exigir que um médico, recebendo R$ 726 ou mesmo R$ 1.500, deixe de ter três ou quatro empregos, trabalhando até a exaustão, ou se mantenha atualizado, quando um livro técnico custa entre US$ 50 e US$ 300 e quando cursos de aperfeiçoamento têm de ser pagos pelo próprio profissional?
Essa situação se torna mais desconfortável se lembrarmos que cerca de 95% dos médicos brasileiros são assalariados, prestando serviços a entidades privadas de assistência, que contribuem para o desânimo ao cercear a autonomia e criar restrições exageradas e perigosas às ações médicas.
A sociedade também alimenta esse processo perverso, assumindo atitudes de intransigência desconcertante ante seus médicos. Em todos os momentos, exige deles nada menos que a perfeição, não aceitando sequer a derrota em fatos inexoráveis, como a falibilidade humana, a existência de doenças incuráveis, a decadência pelo passar dos anos, a morte implacável.
Sociedade que, quase sempre, desconsidera o ambiente circundado pela indigência e pela violência no qual atua um sem-número de médicos brasileiros. Ignora-se a situação cruel enfrentada por esses profissionais, que exaurem seu talento e seus ideais ao clinicar em hospitais públicos caóticos, onde escasseiam ou inexistem materiais e medicamentos mais simples, onde se desgastam tratando de doenças já erradicadas em países mais sérios e onde um paciente com câncer espera até seis meses para ser internado, se sobreviver para isso.
Enfim, os médicos da nação estão realmente infelizes, e muitos brasileiros julgam que, tanto na saída como na chegada, o sentimento tem a ver com salários ou benefícios materiais. Contudo, é importante que se compreenda que os drs. Severino Baiano, José Pernambucano, João Paulista ou Antonio Mineiro, que dedicam suas vidas e emoções para aliviar o sofrimento alheio, estão infelizes, quase nunca por causa de interesses pessoais menores, mas porque a maioria é vítima da combinação perversa de uma sociedade complacente e governos indecentes. Realidade que Riobaldo, o jagunço filósofo de Guimarães Rosa, sabia muito bem como descortinar: "Digo, o real não está na saída ou na chegada, ele se dispõe para a gente no meio da travessia".

MIGUEL SROUGI, 61, médico, pós-graduado em urologia pela Universidade Harvard (EUA), é professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

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